The Tick – A sátira da vida heróica
The Tick é uma sátira sobre o mundo dos super-heróis e seus conflitos psicológicos. Uma ótima animação que, apesar de ter piadas típicas de desenhos infantis, tinha um humor bem adulto. Infelizmente foi esquecido pelo tempo, mas não é tão difícil encontrar pessoas que se lembram dele.
Criado em 1986, por Ben Edlund, The Tick foi um personagem criado para ser mascote da editora americana New England Comics. Eram publicadas histórias de três páginas que acabaram se popularizando, a editora viu a oportunidade e acabou financiando uma história em quadrinhos preto e branco própria em 1988. Essa HQ que deu origem ao desenho veiculado na Fox com o mesmo titilo em 1994, foram trinta e seis episódios divididos em três temporadas.
O musculoso de queixo quadrado, fantasiado de carrapato azulado é nada mais do que uma pessoa bem intencionada cheia de comparações bizarras e um doido varrido, logo na sua primeira aparição Tick foge do manicômio sem conseguir se lembrar de nada de antes de ser internado.
Quanto a seus poderes, Tick é meio cliché, possui super força, é quase invulnerável (o que não significa que ele não sente dor), pode ficar sem oxigênio por um longo período, podendo sobreviver no espaço e embaixo d’água. Mas a característica heroica mais notável é o “Poder Dramático”, um poder liberado no momento mais dramático da situação em que ele se encontra, aumentando o nível dos poderes de Tick. Apesar de todos esses poderes ele possui um ponto fraco, se o vilão neutralizar suas antenas ele perde o equilíbrio.
A animação é repleta de elementos que parecem uma mistura de Freakazoid e O Máscara, desde o ambiente até os personagens. Um deles é Arthur, um contador entediado com sua vida que decide se tornar um herói e acaba virando o ajudante do Tick. Sempre em conflito com sua consciência de “pessoa comum” e a loucura do herói azul, Arthur acaba sendo o protagonista de várias das melhores cenas do desenho.
A história se passa numa cidade chamada simplesmente de “A Cidade” e tem vilões geralmente bobos ou fracos, os outros personagens são igualmente bobos e usam trajes e personalidades bem parecidas com as de outros já consagrados no mundo das HQs da Marvel ou da DC, a própria logo é uma sátira da logo do Homem-Aranha.
A série é repleta de pontos fortes, além de relembrar vários personagens de histórias em quadrinhos e o humor notável, a dublagem brasileira foi feita por ninguém mais que Márcio Seixas. Não lembra da voz dele? Aqui vai a dica: “versão brasileira, Herbert Richers”, provavelmente você leu e escutou a voz dele na sua cabeça, né? Não? Ah, ele foi o dublador de Bruce Wayne, Homem Pássaro, Spock… chega, se você não lembrou até agora eu desisto.
Além da animação, The Tick virou um jogo e até um seriado, o live-action do personagem foi lançado em 2001 na Fox. Ainda não vi muita coisa, mas sei que algumas coisas da história foram adaptadas, pelo menos o humor é bem parecido. Apesar de ter sido aclamada pelos fãs e pela crítica, a série foi cancelada depois de oito de seus nove capítulos gravados, vale a pena a conferida a título de curiosidade.



